Se estivesse vivo, Dom Pedro Casaldáliga estaria completando hoje 98 anos. O bispo que marcou a história do Araguaia nasceu em 16 de fevereiro de 1928, em Balsareny, na província de Barcelona, na Espanha, e faleceu no dia 8 de agosto de 2020, aos 92 anos. Mesmo após sua partida, o legado permanece vivo em São Félix do Araguaia (MT), cidade que escolheu para viver, lutar e construir uma das mais emblemáticas trajetórias pastorais da América Latina.
Reconhecido internacionalmente pela defesa dos povos indígenas, dos trabalhadores rurais e dos mais pobres, Dom Pedro tornou-se símbolo da resistência contra o latifúndio, da denúncia das injustiças sociais e da fé comprometida com a transformação da realidade. À frente da Prelazia de São Félix do Araguaia, enfrentou pressões da ditadura militar, ameaças e perseguições, mas nunca abandonou a missão que assumiu com coragem e simplicidade.
Neste ano, a memória do “bispo dos povos” ganhou um gesto especial da gestão municipal. O prefeito Dr. Acácio foi amplamente elogiado pela iniciativa de homenagear Dom Pedro como tema do Carnaval, reconhecendo publicamente a importância histórica e espiritual do religioso para o município. A escolha foi considerada por lideranças religiosas e pela comunidade como uma homenagem justa e necessária, capaz de unir cultura popular e memória histórica em um mesmo sentimento de gratidão.
As celebrações e manifestações em memória de Dom Pedro foram marcadas por emoção. Em missas e encontros, religiosos e moradores não esconderam as lágrimas ao recordar as palavras firmes e ao mesmo tempo ternas do bispo que dedicou a vida aos que mais precisavam. Muitos lembraram da sua casa simples, das portas sempre abertas e da coragem serena diante das ameaças. “As causas dele valiam mais que a própria vida”, recordaram fiéis.
Hoje, a missão pastoral da prelazia está sob a condução de Dom Lúcio Nicoletto, atual bispo prelado de São Félix do Araguaia, nomeado pelo Papa Francisco em março de 2024 e ordenado bispo em 1º de junho de 2024, na Itália. Dom Lúcio assumiu a gestão pastoral sucedendo a Dom Adriano Ciocca Vasino, cujo pedido de renúncia por idade foi aceito. Respeitado pela comunidade, Dom Lúcio tem sido reconhecido como um homem de diálogo e continuidade, mantendo viva a herança de compromisso social e espiritual deixada por seu antecessor histórico.
Passados quase seis anos de sua morte, Dom Pedro continua presente nas palavras, nas lutas e na memória coletiva do Araguaia. Seu pensamento sobre uma Igreja servidora e profética, que jamais se omite diante do clamor dos pobres, segue ecoando entre aqueles que acreditam que fé e justiça caminham juntas.
Se estivesse aqui, completaria 98 anos. Mas, para São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga não é apenas uma lembrança do passado é uma presença permanente na história e no coração de seu povo.
